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Entrevista 10 anos do Curso de Design CEFET-PE

22/03/2011

Há alguns meses foi aniversário do Curso Superior de Design Gráfico do IFPE/CEFET-PE, no qual sou graduado. Já não era mais estudante, mas alguns dos graduandos estavam fazendo pesquisas sobre designers formados na instituição.

João Gusmão, aluno, me entrevistou para uma revista comemorativa, e na época, não divulguei por motivos editoriais; tinha que esperar a revista ser publicada, né?

Reproduzo abaixo, pois foi uma boa lembrança quando encontrei o texto aqui guardado; mas também por que acho que o conteúdo é bem interessante. Hoje em dia ando um pouco afastado do design por conta do trabalho e da pós-graduação, ambos voltados à gestão da marca (embora a metodologia projetual seja a disciplina que mais me auxilia no processo de gestão), que vale muito à pena destacar os pontos discutidos.

Quando você decidiu fazer design gráfico?
Aos 16 anos, decidi fazer uma pesquisa com uns amigos universitários. Após alguns testes, fui assistir a uma aula de design na UFPE com uma amiga, e gostei bastante. Por sorte, era uma aula de design gráfico; apesar de admirar o desenvolvimento de um projeto de produto, o gráfico me cativou o bastante pra decidir cursar.

Foi difícil conseguir o 1º emprego?
Nem tanto; Eu já havia realizado diversos trabalhos como freelancer, além de dois estágios na área (web e promo). Com isso, meu portfólio e currículo já estavam bem avançados. Difícil foi escolhê-lo. Passei pelo C.E.S.A.R., Comunicação da Prefeitura de Olinda, e Agência Massa. Como era coordenador da Comissão Organizadora do 19º NDesign, escolhi, por fim, ser freelancer por algum tempo. Depois do evento eu pude procurar o que mais se encaixava, e hoje trabalho numa agência de marketing digital, a Casullo. (update: atualmente estou na Capella Design, no Rio Grande do Sul – update 2: Atualmente, abri minha própria agência de Criação de Estratégias para a Internet: PIPE | Estratégias Digitais)

O que faz a diferença no seu portfolio?
Como estou voltado à gestão de marcas na internet, o próprio portfólio é um case. Interatividade, padrões da web, otimização para sistemas de busca, um blog atualizado com notícias e projetos, e integração com redes sociais (twitter, youtube, flickr, RSS). Em termos de apresentação profissional, escolhi uns poucos projetos para demonstração, priorizando a qualidade sobre a quantidade. Acho que objetividade e facilidade de atualização são primordiais num projeto tão pessoal.

Todo designer tem sua referencias na hora de produzir, quais são as suas?
Várias mesmo. Todo dia, ao acordar, leio meus feeds de blogs variados; notícias sobre web, projetos de designers famosos; Enquanto referências de profissionais, admiro o trabalho de André Stolarski, da Tecnopop/RJ; Neville Brody, do Research Studios/UK; Banksy, artista urbano/UK; Seagulls Fly/RJ; entre vários outros. Por um tempo eu evitava referências, achando que ia desenvolver um estilo próprio. Hoje reconheço a importância de compreender o trabalho dos outros antes de definir o seu. Por isso minha mesa na agência e no home-office são repletos de Toys, livros e revistas de design. Tudo bem organizado, claro.

Você trabalha ouvindo música? Quais?
Muitas vezes preciso de concentração. Então não ouço nada, ou algo suave, como música clássica ou jazz. Quando posso ficar mais livre, geralmente no processo criativo, ouço algumas coisas mais pesadas como grunge, punk rock ou hard rock.

Como foi a experiência de ministrar o workshop Na Quebrada da Web, no 3º Encontro Estadual de Estudante de Design?
Eventos de design, principalmente os estudantis, são importantíssimos na formação de um designer. Tenho orgulho de dizer que fui pra sete deles, e aprendi coisas novas em cada um, além de fazer contatos no país inteiro. Já havia ministrado oficinas e mini-cursos em outros, mas o ÉDesign foi especial, pois sou um dos fundadores do evento aqui em Pernambuco. É ótimo compartilhar conhecimentos, iniciar discussões, fomentar a reflexão sobre aspectos que eu estudo e aplico no meu trabalho, e fazer isso num evento de design mostra que a gente contribui tanto quanto aprende nesses eventos.

O futuro do design é a web?
De jeito nenhum! Um dos fatores que agradam a maioria dos designers e estudantes é a própria versatilidade da profissão. Web, Identidade Visual, Promocionais, Editorial… Todas as ramificações do design gráfico são igualmente importantes para o mercado ou sociedade. É inegável, porém, que cada vez mais o desenvolvimento de interfaces para web tem se tornado uma área de bastante concentração dos profissionais recém formados, principalmente em Recife, por causa da efervescência tecnológica da cidade. Além disso, a web hoje em dia é o melhor ambiente para lidar com a sociedade, pelo seu alcance e interatividade.

Um bom designer deve ter ou ser:
Ser dinâmico, concentrado, versátil, curioso e sempre interessado em aprimorar suas habilidades. O dinamismo oferece a capacidade de encontrar soluções para as necessidades do público. A concentração serve para desenvolver e seguir uma metodologia de acordo com estas necessidades. Versatilidade para enfrentar e superar problemas diferentes. A curiosidade para estar sempre atento a todas as formas de desenvolver um projeto. E as habilidades obviamente devem ser sempre aperfeiçoadas.